Na Scania rosa choque, caminhoneira corta MT e quebra preconceito

Daiane Cardoso, do canal "Profissão Caminhoneira", conversou com a reportagem sobre assédio, riscos e amor pela estrada

Geral

26/12/2020 às 07:31

Ela é uma jovem paranaense, de 32 anos, natural de União da Vitória e mora em Paula Freitas, com a mãe. Bonita, solteira, trabalha como caminhoneira e tem Mato Grosso em sua sua principal rota. Na Scania rosa choque, Daiane Cristina Miranda Cardoso, a “Dai”, carrega gasolina, etanol e diesel e entrega por aí. Já rodou o Brasil exercendo a profissão, ainda muito masculina. Justamente por isso, quis dirigir dirgir um caminhão cor de rosa choque. Desde março deste ano, resolveu virar youtuber e abriu um canal "Profissão caminhoneira, com Daiane Cardoso",  atraindo seguidores.

Em Mato Grosso, já “puxou” muito grão, soja principalmente. Mais exatamente por 7 anos fez isso. Há 3, mudou-se para o ramo de combustíveis. Há 10, enfrenta, sozinha e ao volante, as estradas, por onde fica por até 60 dias, já que é solteira e não tem filhos.

Loira dos olhos claros, nesse vai e vem, diz já ter sofrido muito assédio sexual. Mas, se os abusados não se sentem intimidados na base da educação, ela, apesar de ser baixinha, diz partir para grosseria para barrá-los.

Na opinião dela, a mulher está cada vez mais solta, para se sentir confortável, em tarefas antes relegadas apenas aos homens. “Está ficando tudo mais fácil do que quando comecei, inclusive para dirigir. Os caminhões novos são automatizados”.

Tanto é que há outras mulheres trabalhando como motoristas, conduzindo também caminhões cor de rosa e sendo influenciadoras na rede. Assim como Daiane, mostram a vida de mulher caminhoneira nas estradas e suas vivências.

Para Daiane, a concorrência na internet não tem problema, só demonstra a superação de todas. O que diz condenar é vulgaridade. “Uma coisa é ser sensual, outra coisa é usar isso para pegar seguidores. Respeito muito minha profissão, independente dos meus erros que cometo fora dela, mas trabalhando, quando estou no caminhão ou na empresa, gosto de manter sempre o mesmo padrão, independente de usar roupa curta ou comprida”.

Ela valoriza o respeito que conquistou nos postos, onde passa para abastecer, restaurantes, fazendas. “Puxando grão, conheci bem Mato Grosso, entrei em muita fazenda aqui neste Estado e então tenho um amor e um carinho muito grande pelo povo de Mato Grosso”.

Sobre os assédios, diz que ainda hoje é rotina, mas sempre dá um jeito de se safar. “Sempre falo assim, a gente não é aquela lindeza, mas dá um caldo. Como diz o ditado, a gente já é macaca velha e sabe se sair direitinho né, lógico, alguns são mais abusivos, mas aí eu sou mais grossa e o cara se toca. Mas na maioria das vezes eu já chego bem séria nos lugares e as pessoas respeitam bastante”.

Passando por Mato Grosso, o que chama atenção dela são as lavouras extensas, a perder de vista, às margens das BRs, principalmente as de soja. Na época de queimadas, outro cenário se destaca. “Fica muito triste, porque Mato Grosso é essa coisa bonita, verde e cheia de bichos e o fogo vem e destrói tudo", lamenta.

Em uma década de experiência, diz ter visto melhoria considerável das estradas, por onde passa na rotina com seu caminhão cor de rosa choque, faça chuva, faça sol.

Fonte: RD News


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